quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Fórum IDP Alentejo - CONCLUSÕES



Pela sua relevância ao tema deste blogue, divulgamos aqui as conclusões do Fórum IDP Alentejo



"Évora, 5 e 6 de Novembro



Na abertura do Fórum após as boas vindas do Presidente da Câmara Municipal de Évora e de Joaquim Policarpo, do Conselho de Regiões do IDP, Mendo Henriques, Presidente Executivo do IDP, salientou que o Instituto Democracia Portuguesa escolheu para dar início a uma sequência de fóruns regionais onde visa aprender e reconhecer como cada região pode contribuir para o país.



No I Painel, 'Território e Agricultura', referiu António Perdigão, produtor na Herdade das Lages Grandes, ter o Alentejo 53% da superfície agrícola do país, da qual o Alqueva irá regar 5%. Trata-se de um 'Território com condicionantes rígidas: o Clima, porquanto quando há temperatura não há precipitação e quando há precipitação não há temperatura; os Solos, que não são muito bons; a Média etária dos agricultores, com larga maioria acima dos 45 anos; e a falta de Investigação Científica Aplicada e de Extensão Rural.

A introdução do método de Agricultura de Conservação e de sementeira direta na típica exploração alentejana, permite poupanças significativas e, no seu caso, fornecer cereais e malte para a produção das papas de bébé da Milupa e cervejas Unicer. Quanto à agricultura nacional salientou que nos últimos 30 anos não tem havido objectivo nem caminho, faltando uma estratégia ao nível macro.

António Silvestre Ferreira, da empresa Vale da Rosa, começou por dizer que se pode ganhar dinheiro a fazer agricultura tradicional e perguntou: então porque não se faz? “Temos tanta coisa boa produzida em Portugal, porque não havemos de ter sucesso?” No caso do Vale da Rosa, consegue colocar a uvas de mesa com a qualidade exigida pelos clientes internacionais, como por exemplo a Marks & Spencer do Reino Unido.

Para esse sucesso, Silvestre Ferreira referiu que seria interessante o Corpo Diplomático ajudar na promoção de produtos nacionais, cuja qualidade já garante o sucesso. Salientou também existir desperdício de conhecimento e das valências respeitantes à produção agrícola, não se praticando a partilha e troca de experiências que o Governo poderia assegurar, caso houvesse uma estratégia nacional.

Por último, falou sobre Cortiça o produtor Mariano Pitta Barros, que considera o montado como a grande riqueza do Alentejo, nomeadamente pela sua Biodiversidade.

Quanto à Cortiça, verificou um decréscimo de cerca de 25% no valor das exportações, entre 2000 e 2009, porque baixou a qualidade das rolhas e houve maior concorrência das cápsulas de alumínio e de plástico. Noutros produtos do montado, concorremos com regiões mais bem organizadas, em Espanha onde se tira maior rendimento do Porco Preto.

Pitta Barros disse ser necessário defender o Agro-Ambiente pois se não preservarmos a qualidade do território as pessoas vão embora. Considera a rolha como o produto mais importante do montado, embora não exclusivo. Existindo doenças da cortiça não há investigação científica capaz sobre elas, sendo que a I&D até poderia ser paga através de uma dedução específica sobre o rendimento dos produtores.

Em conclusão, debateu-se que a educação, a adesão e o comprometimento de todos em objectivos claramente definidos, partilhados; a coordenação e articulação das diferentes vertentes porque se compõe as empresas; são os factores críticos de sucesso para se conseguir ter uma empresa de classe mundial. Todas as empresas alentejanas apresentadas neste fórum vendem com qualidade internacional, e competem num mercado global e internacionalizado.

A pergunta que fica é: se podemos ter sucesso a nível micro, porque não o temos a nível macro?

Há a realçar como conclusões também as seguintes. A) O principal problema das empresas é a falta de educação, pelo que a aposta na formação profissional é essencial; a busca contínua pela inovação e pelo aumento da produtividade é outro dos aspectos essenciais para o êxito. B) Necessidade de um plano estratégico claro, conciso e coerente bem como a obtenção da adesão dos colaboradores são elementos igualmente importantes. C) Articulação deficiente dos serviços e das entidades estaduais com os sectores e as empresas é um dos elementos que tem contribuído para o fraco desempenho dos nossos produtos no estrangeiro.


Na parte da tarde, no II painel, 'As Universidades e o Futuro', começou por falar o Magnífico Reitor da universidade de Évora, Carlos Braumann, o qual salientou o importante contributo da Universidade para o desenvolvimento local, pela combinação de factores atraentes que contribuem para a fixação das pessoas.

Referiu também que as empresas não conseguiriam inovar sem o contributo das Universidades, pois a investigação custa muito dinheiro e exige recursos altamente especializados. Como exemplo da actividade integrada da Universidade com a sociedade, anunciou a criação do Instituto Português de Energia Solar que irá trabalhar em articulação com a Universidade de Évora.

De seguida falou António Brotas, jubilado do Instituto Superior Técnico, o qual começou por referir que o problema central da Educação é a ignorância. Lamentou que o debate iniciado há 30 anos não tivesse continuação atual. Considerou que uma quase-revolução na educação começou antes do 25 de Abril de 1974, com a reforma de Veiga Simão e a fundação de novas universidades em todo o país, entre as quais Évora, onde acompanhou de perto o prof. Ário de Azevedo. Após o 25 Abril, enalteceu o papel fulcral do coronel Vítor Alves, um “revolucionário tranquilo”, mas considerou haver uma “contra-revolução” feita por Sottomayor Cardia que foi condescendente com o florescimento de universidades privadas de duvidosa qualidade e Politécnicos sem enquadramento universitário. A recente extensão dos anos de ensino com Bolonha retarda a entrada dos jovens no mercado de trabalho e serve para dar emprego aos professores.

Por fim falou, Luís Salgado Matos, do Instituto de Ciências Sociais, que começou por enunciar a sua tese de que a Universidade tal como a conhecemos está condenada, porque era paga pelo Estado para formar funcionários públicos. Será necessário encontrar financiamentos privados para um novo modelo universitário

Em conclusão: existe um consenso quanto à necessidade da existência de um ensino universitário o país em geral e para as regiões. Existe consenso quanto aos efeitos a muito longo prazo nas decisões que o Estado toma em relação ao ensino superior. A crise atual veio pôr em confronto e colocar em destaque as diferenças existentes quanto à oferta universitária, ao conteúdo da prestação e ao modo de financiamento das mesmas: face a um ambiente económico incerto, a universidade enfrenta desafios que exigirão novas fórmulas e novas soluções.


No III Painel sobre a “Sociedade Civil”, a dr.ª Fernanda Ramos traçou um excelente panorama da Fundação Alentejo a que preside, e das vicissitudes que teve de atravessar em quase 20 anos, até se tornar a escolas profissional de referência que hoje em dia existe em três cidades alentejanas. António Ceia da Silva, da região de Turismo do Alentejo, traçou os planos em curso e os projetos a curto prazo desta entidade que quer dinamizar a identidade do montado e a campanha “tempo livre” como forma de atrair turismo para os muitos nichos de qualidade na região alentejana. Perpétua Rocha, coordenadora da Plataforma Activa da Sociedade Civil mostrou como a PASC, com 23 associações e um universo de 120 mil pessoas, é um exemplo vivo de como a sociedade civil se deve comportar e agir.

Em conclusão; com profissionalismo, objectivos claros, planos estratégicos definidos com rigor, transparência e possibilidade de escrutínio, é possível, alcançar resultados e reunir consensos alargados para projectos sociais


No IV Painel, Domingo de manhã, em sessão a que esteve presente D. Duarte de Bragança, presidente honorário do IDP, tratou-se da “Cooperação transfronteiriça entre o Alentejo e a Extremadura espanhola”. A cooperação é essencial para combater a desertificação populacional e elevar o nível de desenvolvimento de cada uma das regiões. Essa cooperação transfronteiriça deve viver da criação de pólos de desenvolvimento que projetem as potencialidades de cada região, defenderam D. Manuel Peralta, da Universidade de Extremadura e José Miguel Piçarra, do grupo Diário do Sul.

Segundo Frederico Brotas de Carvalho, o porto de Sines, pelas suas características de águas profundas e situação, ímpares, tem vocação para porto de entrada e saída da Europa de commodities e combustíveis, desde que assegurada a ligação ferroviária em bitola europeia a França, com famílias adequadas de transporte de carga e passageiros.

Cidades como Évora e Beja, ou Badajoz, Cáceres e Mérida, terão de criar economias de escala do que já sabem produzir e muito bem, como vinho, frutas, cortiça, azeite, e cereais. E terão de investir em produtos tecnológicos relacionados com as novas energias e a indústria aeronáutica. Faltam ainda plataformas logísticas para centralizar e distribuir produtos em termos das duas regiões.

No debate animado entre os presentes D . Duarte de Bragança relatou a falta de cooperação entre o associativismo agrícola espanhol, e o português, desejando que houvesse mais pontes entre ambos. Um caso emblemático desta cooperação poderia ser o lançamento de Olivença como cidade transnacional, de administração comum luso-espanhola, tal como sugerido pelo embaixador Máximo Cajal, actual representante de Espanha na Aliança para as Civilizações no seu livro de 2003, “Ceuta, Gibraltar e Olivença!” "

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